Cavernas do Petar



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NO SILÊNCIO DA ESCURIDÃO Abismo Ouro Grosso

REVISTA ADVENTURE ANO 02 Nº 21 - Por Ana Paula Cunha

Quando recebi a proposta de pauta dessa matéria, durante a Adventure Sports Fair, senti um frio na barriga e imaginei a aventura: descer rapelando um abismo de 180 metros e percorrer a caverna Ouro Grosso inteira, acompanhada por seis homens que ficariam responsáveis pela minha segurança, leia vida - literalmente pendurada por uma corda, agora meu cordão umbilical me unindo a Mãe Natureza.

Eu já havia visitado três grutas no PETAR, mas na Ouro Grosso só os mais experientes costumam se aventurar. É uma caverna técnica e difícil, que exige preparo físico e conhecimentos específicos .

Recordei três pessoas entrevistadas por mim, cujo trabalho admiro muito, Clayton Uno, Renata Falzoni e Carlos Zaith, dizendo-me que ao explorarem uma caverna pela primeira vez, suas vidas mudaram. Lembrar disso, aumentava minhas expectativas e eu só pensava em me preparar para a aventura.

Já tinha sido avisada que não seria fácil, mas estaria amparada por uma equipe de profissionais experientes, que conheciam muito bem a caverna. Eles resgatam pessoas que entram sem um guia e acabam se perdendo.

Depois de fazer um curso de técnicas verticais em abismo e me preparar psicologicamente, chegou o dia da viagem e nos mandamos para o PETAR. Durante a checagem dos equipamentos, eu olhava para o nosso destino, o alto de uma montanha, coberta por uma vegetação densa, onde estava escondido o abismo, e era como se ela escondesse um tesouro de verdade!

A caverna Ouro Grosso fica no PETAR - Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, a 350km de São Paulo, quase na divisa com o Paraná. O parque abriga uma das maiores reservas intocadas de Mata Atlântica e é uma das maiores concentrações de cavernas calcárias do Brasil, são mais de 200 já cadastradas. Também existem remanescentes de quilombos, onde vivem descendentes de escravos que mantêm sua cultura e estilo de vida peculiar. Um valioso patrimônio natural e cultural composto por sítios paleontológicos, arqueológicos e históricos, além da enorme diversidade biológica existente no local.

A caverna Ouro Grosso é feita de calcário - como a maior parte das existentes no planeta - uma rocha sedimentar ligada à presença milenar do mar, que através da ação das águas, vai definindo formas interessantes na rocha, os espeleotemas, como as estalactites (que pendem do teto) e estalagmites (que saem do chão), além de outras esculturas como flores, pérolas, cortinas etc.

Na espeleologia, a ciência confunde-se com a aventura. Para estudar o interior da Terra, é preciso entrar fundo nela, ter coragem para mergulhar no desconhecido através de cavidades naturais de diferentes tipos e dimensões, as horizontais - grutas ou cavernas e as verticais - os abismos

“ Qualquer passo errado em qualquer direção, nos levaria diretamente para a morte “

Depois de um trekking montanha acima, carregando quase lOOkg de equipamento divididos nas mochilas de cada um, chegamos suados e ansiosos ao nosso destino. Eu olhava aquele buraco no chão e não conseguia ter a mínima idéia do que me esperava lá dentro, muito menos ter a certeza de que eu realmente desceria por ali. Eu ainda podia desistir... mas quando olhei as expressões dos meus companheiros... eles não viam a hora de entrar!

Daniel, Eduardo, Braga e Hedmilson, os espeleólogos, arrumavam os equipamentos, concentrados na preparação da descida. Márcio Bruno, nosso fotógrafo, escala-dor experiente e irreverente, que­brava o clima nos fazendo rir de suas observações, enquanto dispa­rava seus clicks. Fábio, da Serelepe, nosso convidado especial, ia reorganizando as mochilas e ajudando aqui e ali.

Quanto a mim... "O que é que estou fazendo aqui?!?!" - era a frase que se repetia em minha mente, mas não seria eu quem acabaria com a festa, afinal de contas, tinha a responsabilidade de representar o sexo feminino com coragem e a última coisa que eu queria, era parecer frágil ou apavorada, virando um fardo para a equipe e deixando o clima tenso, então, tratei de relaxar e entrar pelo buraco!

Daniel seguia na frente, fazendo as ancoragens, enquanto Hedmilson dava apoio para ele. Os dois, muito calmos, iam me instruindo e incentivando nas saídas, algumas bem complicadas! Lá embaixo, Braga e Edu, sempre alertas, faziam a segurança e preparavam o local para aguardar toda a equipe, e então, nos lançarmos em nova ancoragem. Qualquer passo errado em qualquer direção, nos levaria diretamente para a morte. O tempo todo estava ancorada com meu mosquetão em algum lugar do subterrâneo. Tudo exigia muita calma, técnica, concentração e trabalho de equipe.

O PETAR foi criado em 1958. Sua área é de 35.712 hectares e abriga uma enorme riqueza natural. A formação montanhosa e a densa vegetação presentes na região funcionam como umo barreira aos ventos que vêm do Atlântico Sul, causando uma alto precipitação chuvosa. A ação da água ácida nas rochas calcárias durante milhares de anos, propiciou a formação de cavernas com piso, paredes e tetos ornamentados por inúmeros espeleotemas. Em suas matas podem ser encontrados vários espécimes animais e vegetais em extinção, como onças, veados, pacas, mono-carvoeiros, quatis, ios, capivaras, além de palmito e madeiras raras como peroba rosa, peroba branca, cedro e canela. Até 1988 o parque só existia no papel, servindo ao interesse de alguns, mas graças ao trabalho de ambientalistas, integrados com a comunidade, o parque está sendo protegido, o município se desenvolvendo e a comunidade melhorando de vida. Um exemplo a ser seguido. O parque conto hoje com 4 núcleos abertos para visitação: Santana, Cablocos, Ouro Grosso e a Casa de Pedra, que tem a maior entrada de caverna do mundo, com 215 metros.

Na saída da segunda ancoragem, cheguei a pensar em voltar... meu coração parou no momento que sentada na beira do abismo, olhei para baixo e vi uma luzinha lá no final me esperando. Pensei que aquilo só podia ser coisa de maluco! Qual o sentido de me atirar na escuridão, pendurada naquela corda que representava o limite entre viver ou morrer? Naqueles poucos minutos de dúvidas e indagações silenciosas, a adrenalina foi superando o medo e me lancei no nada. A descida era relativamente longa e deu tempo para aquietar o espírito e perceber que não, aquilo não era coisa de maluco, na verdade era um presente de Deus e o medo, apenas um alerta, um aviso para ter cautela. A oportunidade de penetrar no ventre do planeta, era privilégio oferecido a poucos, bem poucos!

Acionei o stop - tipo de freio utilizado em vertical - e fiquei ali, pendurada no meio daquela imensidão, iluminando as paredes e admirando aquele enorme salão com desenhos e esculturas muito mais deslumbrantes do que havia imaginado!

O barulho de chuva nos acompanhava desde o primeiro rapei. Na verdade a água - H2O, é o agente preponderante para a formação de uma caverna, pois infiltra-se nas fissuras microscópicas da rocha, originando uma reação com o gás carbônico - CO2, que resulta em ácido carbônico - H2CO3. As rochas calcárias são ricas em carbonato de cálcio - CaCO3, que reage com o ácido carbônico liberando bicarbonato de cálcio - Ca(HCO3)2, e por ser solúvel é levado pela água, dissolvendo rochas e expandindo fissuras; enquanto a  recristalização e precipitação do carbonato de cálcio vão for­mando os espele-otemas . Depois desse rapel, o medo cedeu lugar a uma excitação enorme que me encheu de coragem para descobrir esse novo mundo. Tanto que a descida seguinte, na verdade uma das partes mais críticas e a que eu mais temia – porque exigia muita calma e autocontrole, já que fiquei presa apenas pela fita de a u t o – s e g u r o , enquanto trocava de corda no meio da descida, pendu­rada no abismo -consegui fazer numa boa e acabou sendo bem mais maneiro do que eu tinha fantasiado.

Esse é o processo de mutação, estava me ada­ptando ao ambiente e à verticalidade.

Muitas descidas ocorreram até chegarmos a um grande salão onde fizemos nossa refeição, aliás, uma das passagens mais engraçadas de nossa aventura! O abismo tinha terminado, já estávamos mais relaxados, íamos comer e o sorriso marcava cada rosto, as risadas lembravam situações que vivemos até ali, tudo nos tornava cúmplices e solidários, compartilhando aquele momento de vitória com muitas gargalhadas!

Na minha cabeça, o pior já havia passado, nada que viesse pela frente, poderia exigir mais de mim, do que descer um abismo de 180m pendurada por uma corda na escuridão de uma caverna úmida! Mas eu estava enganada, o mais difícil ainda estava por vir...

ATENÇÃO! As Cavernas são verdadeiros labirintos que escondem muitas armadilhas e onde fica fácil se perder ou sofrer um acidente. Por isso NUNCA entre em uma caverna sozinho e SEMPRE avise no núcleo que visitar, o seu destino. Escolha cavernas que esteja apto a percorrer e contrate um guia experiente.

A história da vida de Clayton Lino confunde-se com a do Petar. Desde que visitou o lugar pela primeira vez,  fez de sua vida uma batalha pela preservação do parque com suas matas e cavernas intocadas. Foi a primeira pessoa a explorar e mapear a Ouro Grosso e várias outras cavernas do parque. Numa época em que a ditadura vigorava, lutou contra as mineradoras que possuíam requerimento permitindo a mineração de calcário, ouro e chumbo em 80% daquela área, envolvendo-se num caldeirão de conflitos entre mineradores, grileiros e traficantes de espécimes da Mata Atlântica. Clayton levantou os problemas de precatórios e grilagem, fez nova demarcação da área do Parque, expulsou passeiros que se diziam donos do Núcleo Santana, enfrentou os mineradores e conseguiu que o PETAR realmente funcionasse. Hoje, o parque é bem visitado e preservado. O número de palmiteiros está diminuindo a cada dia. Um habitante local pode estudar e se formar, graças ao trabalho desenvolvido por ele junto ao Estado e a comunidade local. O PETAR é exemplo de desenvolvimento sustentável, apesar da batalha ainda não ter acabado!

'Olhei "para a fenda - rachadura na rocha, provocada pela movimentação do solo - e nossa passagem para a garganta da caverna e tentei imaginar como passaria por ali! Levantamos acampamento e subimos escalando rumo à fenda. Até agora não consegui entender como consegui passar ali...

Saímos junto a um no, que seguiria conosco até o fim do caving, alternando trechos rasos e fundos com muitas corredeiras e daí para frente foi que o bicho pegou! Na minha cabeça, estar com os pés no chão, ao invés de pendurada, tornava tudo mais fácil, só que o longo trecho que tínhamos até o final era completamente acidentado, exigindo condicionamento físico e muito braço. Foram horas de caminhada, água no pescoço, trechos de escalada, desescalada, nadando e rastejando em corredores estreitos, espremidos na parede sobre rochas escorregadias à beira de abismos. O barulho da água ficava cada vez mais forte.

Senti-me num imenso parque de diversões ao passar pela estreita garganta, desviando das estalactites, ultrapassando os obstáculos como num vídeo game, dava risada sozinha até que o barulho da água ficou muito forte e ela apareceu do nada... uma grande e forte corredeira bem no meio do caminho!

Ela tinha uns 8 ou 9 metros e a água caía com muita intensidade. Pular não seria possível por causa das pedras, que mudam o tempo todo de lugar e poderiam estar embaixo d'água. A profundidade máxima dessa caverna em alguns pontos, é de 2 metros. Desescalar era tarefa para um ótimo escalador, o espaço que possibilitava a passagem era mínimo e voltar... nem pensar!!! A solução foi uma corda amarrada com vários nós, que davam apoio para as mãos, enquanto ia descendo do jeito que conseguia, passando bem no canto para a água não me derrubar. Foram momentos de tensão; eu preocupada em não cair e eles preocupados que eu não caísse, já posicionados para uma possível emergência. Então, fiquei sabendo que várias dessas nos esperavam...

BRONCA!
Infelizmente encontramos restos de carbureto, utilizado para iluminação, decorando a paisagem dentro da caverna. Os locais onde foram achados só podem ter sido visitados por espeleólogos, o que nos deixou mais indignados ainda.
O ambiente da caverna é muito frágil e nenhum lixo deve ser deixado no local.

SEU VANDIR:  Uma prosa com essa figura conhecidíssima dos espeleólogos pode durar horas recheadas de histórias interessantes. Seu Vandir, 60 anos, nasceu no Bairro da Serra e desde cedo trabalhou na lavoura e nas minas. A falta de emprego era um grande problema até que ele conheceu as cavernas. Junto com os espeleólogos franceses e pesquisadores, foi descobrindo cavernas e abrindo estradas de acesso. O prefeito da época, já visualizava o potencial turístico da região e resolveu investir em estrutura, o que garantia emprego para o Seu Valdir. Rindo, ele conta que os espeleólogos franceses não gostavam muito de água, andavam pelas paredes, escalavam tudo , mas não colocavam o pé na água! Naquela época usavam escadinhas de cabo de aço com degrau de 20 cm e 10 cm de comprimento, encaixando uma na outra e foi assim que abriram um dos acessos à Ouro Grosso. Os destinos do Seu Vandir e Clayton Lino, já haviam se cruzado quando este ainda era estudante e integrante do CEU – Centro Excurcionista da USP – que ativou o trabalho de espéleo no Brasil e o outro, trabalhava prestando serviços à prefeitura, canalizando água e abrindo as estradas de acesso às cavernas. Em 1988, Seu Vandir recebeu de Clayton, que assumira a administração do parque, a proposta de trabalho para viabilizar a infra-estrutura de visitação ao PETAR. Descobriu e abriu acesso para várias grutas e hoje, ele, Dona Diva e os Filhos, administram uma pousada e restaurante no Bairro da Serra. O fluxo de turistas, que era de 3500/ano no início, hoje chega a quase 50.000. Os preciosos livros que seu Vandir guarda, com assinaturas de todos que passaram por ali, as fotos e casos contados bem devagar, com seu jeito sossegado, lembrando de todos os detalhes, nos remete a uma viagem no tempo  e na história do PETAR.

Fomos seguindo com todo o cuidado e agora tudo o que eu queria era chegar ao final, mas ele ainda estava um pouco longe!

Já estávamos na caverna por pelo menos umas onze horas, e mesmo com o neoprene, o frio começou a apertar. Alguns obstáculos eram tão técnicos, que se demorava para ultra­passá-los, então ficávamos parados, esperando cada companheiro passar. Comecei a sentir calafrios e meu corpo tremia, ora de medo, ora de frio. Um princípio de hipotermia se aproximava, estava cansada e as dúvidas novamente se instalaram em meus pensamentos, mas a serenidade da equipe, apesar do cansaço físico e mental, me animava a seguir e superar os obstáculos naturais. Agora faltava pouco...

Depois de quase duas horas de trilha e catorze horas e meia de caverna, saímos junto à raiz de uma imensa figueira. A madrugada parecia reluzente para nossos olhos acostumados com a luz do carbureto. A grandiosidade do céu cheio de estrelas, o cheiro de mato e a noite quente e maravilhosa que fazia, me deixaram em transe por alguns segundos. Pensei no que havia feito, desci no útero da Mãe Terra, conheci suas entranhas. Venci medos, limites, controlei a minha mente, minha fome e meu frio. Olhei para nossa equipe que estampava cara de cansaço e um enorme sorriso na feição de cada um. A sensação de ter valido a pena todo o esforço...

A natureza nos ensina coisas essenciais, como o respeito, basta observá-la. Os esportes nos ensinam a superar limites, a confiar e merecer a confiança de nossos companheiros. Aliar essas duas coisas pode ensinar como se tornar um ser humano melhor e cumprir a sua parte no planeta. Juntando isso à ciência, temos uma trilogia perfeita:
Espírito, corpo e mente.

Natureza, esporte e inteligência.

Esse é o segredo da espeleologia, que vem do grego spelaion, caverna e logia, estudo. Estudo das cavernas: uma ciência, um esporte, um desafio

DICAS

Para a visitação de cavernas, como as do PETAR, em grande parte em seu estado original, são necessários alguns cuidados fundamentais principalmente para sua preservação e segurança.

- Nunca entre em cavernas desacompanhado, procure um guia ou pessoa experiente.
- Fique atendo para não pisar em espeleotemas, quebra-los ou esfumaça-los como capacete.
- Não retire ou quebre nada das cavernas
- Não use bebida alcoólica no interior da caverna.
- Não fume no interior da caverna. A fumaça é prejudicial a este delicado ambiente.
- Respeite a fauna cavernícola, apenas observando-a
- Mantenha a caverna limpa. Traga de volta todo o seu lixo (orgânico e inorgânico), apanhe também o lixo que encontrar pelo caminho e deposite-os nos latões no exterior das acavernas
- Conheça as técnicas básicas de navegação, primeiros socorros e alpinismo
- As cavernas apresentam obstáculos naturais. Não se arrisque , assim como não exponha pessoas inexperientes e sem preparo físico a situações de risco.

Caso você se perca não entre em pânico. Fique parado e aguarde auxílio. O resgate só será possível se você tiver informado seu roteiro ao guia de plantão, nos postos dos guias (quiosques e casas de guias) através da Ficha de Visitação. No caso de cavernas fora dos centros de visitação avise sempre alguém do local sobre seu destino

EQUIPAMENTO PESSOAL

Além da mochila, cada um de nós estava equipado, vestido e calçado adequadamente. Usávamos:
- Peitoral Forse, ascensor ventral croll, cadeirinha superavante malha rápida nº, fita para auto seguro enérgyca, descensor stop, ascensor de mão com estribo ajustável e ascensor pantim da PETZL.
- 2 mosquetões tipo HMS com rosca e mosquetão oval com rosca CAMP
- Capacete explorer PETZL.
- Roupa de neoprene, macacão By ou calça e anorak da SPADA, que foi o que usei. O material era resistente, não abriu nenhuma costura, apesar de toda a ralação e não ficou pesado depois de molhado.
- Mochila na trilha: KAILASH e SPADA
- Mochila no abismo: MONTANA estanque com capa de cordura
- Nos pés: bota HI-TEC, que segurou bem, dando firmeza mesmo nas partes mais escorregadias, e muito leve, mesmo molhada.
- Relógio com altímetro FREE STYLE

ABISMO OURO GROSSO

IMPORTANTE

- Informe-se sobre os regulamentos do local a ser visitado
- Planeje sempre o roteiro que pretende fazer com detalhes
- Se nunca visitou o local procure saber detalhes com pessoas  experientes antes de iniciar o percurso
- Calcule o tempo que pretende ficar no interior da caverna
- Selecione e prepare com antecedência todo equipamento que pretende levar

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